"SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no SENHOR, desde agora e para sempre.(Sl 131)

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domingo, 6 de agosto de 2017

Apocalipse 12 e os astros



Muita “importância” é dada a esta passagem ultimamente. Por um motivo particular, e não por sua repercussão atual, foi feito este texto. 

Os astros
Há uma abordagem que, a partir do termo “céu”, interpreta o capítulo 12 de Apocalipse sob o enfoque da posição dos astros nos céus. 
São apresentadas muitas análises e conclusões são oferecidas. Entendo serem forçadas, desconexas e, principalmente, uma prática hermenêutica esquisitíssima que sugere e permite compreensões  inadequadas: a impessoalidade dos personagens e a sugestão de datas e tempos, que o próprio Cristo os segredou.
Não descarto, porém, que Deus utilize-se de sua criação para trazer juízo sobre a terra, provando seu caráter santo, sua sabedoria e poder.

Ideia geral
Os termos céu e terra e os personagens descritos fazem parte da narrativa bíblica, é preciso vê-los dentro da narrativa, sem o que não teremos entendimento.
·    E tudo inicia com sinais no céu, com uma mulher prestes a dar luz a um Filho. (v. 1)
·       Outro sinal no céu é visto (v. 3), desta feita um dragão.
·       Das visões celestes, abruptamente o dragão está “sobre a terra”. (V. 4).
O texto, assim, descreve sinais e batalhas no céu e perseguição e guerra na terra. Em todos esses movimentos está presente o dragão. Ele é o protagonista do capítulo.

A personalidade dos personagens
A despeito da simbologia existente, os atos garantem que dragão, Filho e Miguel são seres pessoais. 
1.  O dragão
·    Age segundo um propósito ou vontade: tragar o Filho da mulher (v. 4), a mulher (v. 15) remanescente de sua semente (v. 17);
·      Tem seguidores e poder - seus anjos (v. 7);
·      Faz acusações - tem intelecto (v. 10);
·      Tem percepção de tempo (v. 12), e espaço (v. 13)
Além das descrições acima, o v. 9 garante-nos que se trata de satanás - um anjo.

2.  O Filho da mulher (v. 5)
·     Um homem  que terá governo sobre toda a terra;  
·     Foi arrebatado para Deus;
·     Tem um trono celeste
As descrições feitas identificam o Filho da mulher como o Cristo (conf. Sl 2.7-9). Reafirmada pelo próprio Jesus – "a salvação vem dos judeus". (Jo 4.22)
  
3.  Miguel
Os versos 7-10 descrevem uma batalha entre Miguel e seus anjos e satanás e seus anjos. Miguel, de acordo com Dn 12.1, é um ser angelical, portanto, pessoal. Que serve como protetor do povo de Daniel – Israel.

A mulher
Sua descrição do v. 1 se assemelha à descrição encontrada na visão de José (Gn 37.9-10). Lá, há a ilustração do núcleo familiar que viria a ser a nação de Israel. Nenhuma alusão à fé é feita, mas a citação de Jacó e sua família, no corpo das Escrituras, identifica a nação de Israel - étnica, religiosa, geográfica e histórica.  

O cumprimento dos eventos  
Não sabemos sobre o intervalo de tempo entre o verso 1 e 3, tampouco entre os demais versículos do capítulo, e afirmá-lo é especulativo. Quanto ao cumprimento de cada evento - preterista ou não, dependerá do modelo escatológico adotado.

Fatos sobre cumprimento dos eventos  
reino do Filho com vara de ferro sobre as nações ainda não se deu. Mesmo decorridos grande intervalo de tempo entre o nascimento do Filho e os dias atuais. (v. 5)
nascimento do Filho e sua ida para seu trono no céu já ocorreram. Mesmo com um intervalo de tempo entre a nascimento do Filho (v. 4) e seu arrebatamento para Deus para seu trono (v. 5).
É possível que haja um grande intervalo de tempo entre os eventos descritos “parou diante da mulher” (v. 4) e a mulher  “fugiu para o deserto”. (v. 6)
A luta entre Miguel e satanás, em virtude de seus desdobramentos, ainda não se consumou.

A primeira queda
O verso 4 descreve satanás em direção à terra sem oferecer a causa. Parece-nos ser um ato voluntário e intencional, pois diz: “levou após si... e lançou-as”. A voz ativa e modo indicativo dos verbos colaboram com esse entendimento. Que muito diverge do verso 9 na luta contra Miguel.
A perseguição feita ao Filho da mulher (Israel), realizada na terra, deu-se em sua primeira queda. É-nos dada a garantia que foi frustrada pelo desfecho: “arrebatado para Deus e [para] o seu trono”. Quanto a mulher “fugiu para o deserto”, um local preparado por Deus (v. 6).

A segunda queda  - A luta com Miguel
No v. 7 está descrita uma batalha “no céu”. E o v. 8 define o perdedor: satanás. E conclui (v. 9): “ele foi precipitado na terra”. A voz passiva, o tempo aoristo e modo indicativo garantem que satanás perdeu definitivamente e foi submetido a derrota. Portanto, o evento do v. 9, em que satanás foi lançado para terra, difere do evento descrito no v. 4. Aqui ele é expulso do céu. Lá, ele vem em direção à terra voluntariamente para realizar um propósito. A aceitação mais tradicional do texto afirma que esse evento ainda se cumprirá.
O cerne da mensagem afirma que satanás “não mais ter acesso para acusações aos nossos irmãos diante do trono de Deus”. (v. 10). A batalha com Miguel impôs a satanás a perda do acesso ao trono de Deus. Mesmo que não tenhamos detalhes, o contexto posterior mostra que para satanás é grande e definitiva perda.

Um novo momento na terra
Esta “restrição celeste” dá início a um novo momento aqui na terra. Pois lemos, (v. 10): “Agora é chegada a salvação”.
O termo “agora” se ajusta a ser um fato novo. Que gera uma grave advertência no v. 12 “Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós”. São dadas felicitações para aqueles que já morreram, e os pêsames para aqueles que estão vivos. E o motivo é a ira do diabo que vem em diraçào à terra.
Sob tais advertências é anunciada a salvação (v. 10) Se este é um fato futuro, e é possível que seja. A proclamação da salvação NUNCA esteve associada aa um cenário tào particular. Pois na proclamação do evangelho para os gentios ou judeus (Livro de Atos) não há qualquer semelhança às condições aqui descritas. 
Os Capítulos posteriores oferecem detalhes para crermos que um local específico é destinado para alguns desses fatos - Sião, pregação feita por anjos, cântico de Moisés, Amagedon. Diante desses fatos, não é possível aceitá-los como pretérito.  
Os últimos atos de satanás
Os versos 13-17 são dedicados a descrever de forma sumária a ação de satanás sobre a terra. Notemos que nenhuma citação é feita ao Filho.
A mulher. O v. 13 mostra que a serpente – satanás – persegue a mulher (Israel), contudo é  guardada e oculta  por um período. (v. 14)
O v. 15, possivelmente após o período determinado no v. 14, a serpente se volta contra mulher (Israel).  E a “terra” agora é quem livra a mulher (Israel) da fúria da serpente. (v. 16).
O remanescente da semente da mulher. Parece-nos que há uma mudança de compreensão da parte da serpente em relação à mulher, pois a descrição do ato de fúria se volta para o “remanescente de sua semente (o Filho da mulher), atribuindo-lhe o termo: “que guardam os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Cristo”.
Assim, se encerra – neste capítulo - a descrição da fúria de satanás contra Israel e o remanescente de seu Filho.

Conclusão
Sobre este texto, nenhum modismo pode nos separar das verdades bíblicas. Nenhum tempo nos é permitido sugerir, nenhuma ilusão nos é autorizada criar. Nenhuma metáfora está acima das Escrituras: Satanás é um ser pessoal, poderoso e perverso. Que trava uma batalha contra o Senhor, cuja disposição é promover o mal, o qual se estenderá por toda a terra.
A oposição de satanás à realização dos planos de Deus com Israel é o centro de sua missão. É a luta por esta terra.
Devemos vigiar e confiar plenamente em Deus e em sua palavra... Ele nos guardará. 


Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo. (Ap 1:3)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Humanismo bíblico (?)





E tendo deposto a este, levantou-lhes como rei a David, ao qual também, dando testemunho, disse: Achei a David, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade. (At 13:22)

É comum na leitura de Atos 13.22, atribuir-se acentuada ênfase ao termo “Davi, filho de Jessé, homem segundo meu coração – isto é Deus”. Assim, se altera o contexto, perdendo-se o real ensino da passagem. Tal orientação, contraria  o propósito do escritor, fazendo-nos perder a percepção, dando à criatura proeminência em detrimento do Criador. Que é bendito eternamente. Amém.

A ênfase está na frase que segue, nela está escrito... Que fará toda minha vontade – de Deus. Está é a ênfase do texto. Deus manifestar sua vontade, em amor, por meio de Jesus, seu Cristo.

O que pretende Lucas, nesta passagem, é ensinar que Cristo é o ápice da história universal. É nEle que Deus se faz pleno em relação à sua criação. É para esta conclusão que o Espírito do Senhor nos conduzirá.

E o  capítulo 13 do verso 1 até o 43 , há clara divisão de temas. E por eles podemos aprender o que Deus, ao longo da história, realiza para comunicar seu amor.

Os versículos de 1 a 3 contam a separação de homens sábios e santos – Barnabé e Paulo, para cumprirem uma obra particular do Espirito de Deus. contudo, nenhum detalhe nos é adicionado sobre tal obra, nada nos é antecipado. 

A partir do v. 4 entendemos que a obra determinada implica em sair em busca de um lugar específico. É feito o registro do percurso. Com as partidas, chegadas e dificuldades do caminho. Até, por fim, chegam onde, de fato, o Espírito de Deus os encaminhara... a cidade de Antioquia, da Pisídia. Todo o trajeto, as dificuldades foram superadas para realização da obra determinada pelo Espírito de Deus. O texto nos conduz a perceber o exercício soberano de Deus – Espírito Santo. 

Já em uma sinagoga (14) Paulo inicia seus argumentos para esclarecer como Deus, para benefício da nação de Israel, enviara seu Cristo (16 ao 43). Em retrospectiva, traz à lembrança daquelas pessoas – judeus e prosélitos (43) - os feitos de Deus ao longo da história. Desde a redenção nacional da Egito, até ao seu Cristo, ressurreto (39). 

Em meio a este discurso, é feita a citação a Davi, exatamente no verso 22. Lemos... " Davi, filho de Jessé, homem segundo meu coração – isto é Deus”. A citação é feita para dar substância e veracidade histórica à argumentação do apóstolo. Permitindo aos seus ouvintes, associarem Cristo, o redentor, aos fatos da história de Israel.  A citação do nome de Davi, ainda que honrosa, é feita para este benefício. Tenta, Paulo, assim, criar uma linha histórica, unindo os feitos de Deus no passado a Cristo. Seu argumento, que os judeus e prosélitos bem conheciam pela leitura do livro Primeiro de Samuel, cap. 13, atribuía a Cristo a autenticidade exigida e esperada do Messias de Israel.

É neste contexto que Davi é citado. Como um dos personagens de Israel que cumprira a vontade soberana de Deus. Lembra ainda, que Davi, como profeta, de si mesmo não falou, mas antecipou a vinda do Senhor. Que não falou de sua morte, mas da morte e ressurreição do Senhor. Tudo é apresentado para garantir que Deus por meio de Davi fez sua vontade, falando do Cristo eterno, que venceria a morte.

Não podemos atribuir a Davi, nesta passagem, realce maior que aos demais personagens citados. Os nomes de João Batista, Abraão, Moisés... Até do romano Pilatos participam do texto como pessoas que livremente cumpriram a vontade santa e irrevogável do Senhor. O ensino nos conduz para aprendermos sobre a importância da vontade do nosso Deus em Cristo Jesus.


Portanto, a ênfase dada Davi é equivocada e retira do texto, aquilo que o texto ensina... 

Deus é soberano e fará toda sua vontade. Não podemos perder de vista que todas as promessas de Deus se cumprem no Senhor da redenção. Jesus, o cristo de Deus.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Arreda, pois cogitas as coisas das trevas.


As Escrituras caíram em desgraça no mundo evangélico, e com ela o cristianismo, a santidade.

Há claro domínio do secularismo e pecado aberto em nossas Igrejas, que a santidade, por ser santa, foi disciplinada, e por não coadunar-se com o pecado - não se arrepende por ser santa -  foi excluída, banida da “igreja”.

O que, há tempos atrás, foi objeto de preocupação e, ao mesmo tempo, objetivo da vida cristã, nem mais faz parte da agenda de ensino das igrejas... e da consciência religiosa.  

Fomos inundados por patriarcas, apóstolos, pastores, conferencistas, preletores, teólogos, educadores ímpios - ungidos das trevas, cuja intrepidez dá-se apenas na busca do dinheiro dos (in) fieis e projeção pessoal.

Trouxeram o poder para substituir a verdade, e a soberba e o escândalo como testemunhos de fé. O pecado foi oficializado como sabedoria religiosa.
A cruz e o sangue do Senhor foram negociados por vantagens e valores. E o Espírito de Deus foi revisado e reprovado pela psicologia. 

São conquistas da presente era e têm sido comemoradas com louvores do oportunismo gospel. A sanha satânica do agradável aos olhos, desejável para sentir e obter sabedoria está se cumprindo diante de nossos olhos.

Gotas de orvalho que saem de lagoinhas, universais, bolas de nove dão vida ao cenário de trevas e horror dedicado a satanás. Esses desconhecendo o caminho do Senhor se introduziram furtivamente em nosso meio. 

Homens que desde muito foram destinados para este juízo. Ímpios que convertem em dissolução a graça soberana de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo.

Esses enganadores se banqueteiam entre si, apascentam apenas a si mesmos, sem nenhum pudor. São como nuvens sem água levadas pelo vento; árvores sem folhas, nem frutos - inúteis, apenas com aparência de utilidade. Para esses, Deus reservou a negritude das trevas. 

O Senhor lhes trará o juízo. 


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Autodeterminação - A suficiência humana


Este texto serve para reflexão sobre a autodeterminação humana e seus resultados. 

Devemos iniciar, reconhecendo que atribuímos a nós mesmos maior sabedoria, e discernimento que aos demais. Equivocadamente, colocamo-nos acima da faixa dos homens comuns. Tal percepção, enganosamente, não nos permite reconhecer, que o Panem et circenses mantém a todos entretidos.

Há um traço bem característico no comportamento humano... A autodeterminação.

O homem credita a si mesmo sua realização. Isto porque, há convicção que toda a sabedoria e discernimento existentes, se encontram no próprio homem. Esta suficiência, representa uma declaração da inexistência de Deus, e sua incapacidade de comunicar-se conosco.

Tal disposição, com aparência de poder e sabedoria, de fato, fundamenta e conduz a frustração humana. Podemos percebê-la, pois há uma linha padrão percorrendo nossa história.

Cada ciclo da vida é marcado pela chegada da verdade... A última verdade. Com ela, novos valores, e por eles, uma nova esperança. Impondo frustrações à geração que se retira.

Um novo ciclo virá da esperança caduca, pressionando com uma nova verdade, fazendo com que as referências, sejam lançadas fora. E esse ciclo se repetirá estabelecendo este padrão... última verdade, última esperança e frustração.

A sabedoria humana não percebe, mas é intrínseco da autodeterminação. Ela busca a última verdade, para esquecer a última frustração.

E cada geração repetirá a anterior... buscar, em si mesma, a verdade que acenda sua esperança.


Provérbio 14:16, diz assim... O sábio teme e desvia-se do mal, mas o tolo é arrogante e dá-se por seguro.   

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Ressurreição - Pequenos detalhes



A Ressurreição conforme apresentada nas Escrituras, revela aspectos grandiosos. Se, por um lado, ela evidencia que Deus é o Senhor da história, Por outro, exige atenção, pois, envolverá a todos. É ela quem abrirá os portais da eternidade, encerrando a vida como a conhecemos.

Longe de ser uma novidade, essa expectativa se confunde com a história do homem. O livro de Jó, que registra um período de 2 mil anos antes da vinda do Senhor, já a contemplava. Em seu capítulo 19. 25, Jó afirma que veria Deus em outro corpo. Sim, Jó vivia a esperança de um dia estar com o Senhor... E em outro corpo.

Além de Jó, profetas a anunciaram. Jesus a confirmou. Temos relatos, em que multidões dela testemunharam. E o encontro do apóstolo Paulo com Jesus ressurreto, mudou para sempre sua vida. Passando a dedicar todos seus dias na proclamação da esperança da ressurreição.

As Escrituras conferem à ressurreição de Jesus igual historicidade dada ao decreto de César Augusto, à existência de Quirínio como governador da síria, o matança das crianças no reinado de Herodes. 

A despeito das evidências históricas, o homem a rejeita, negando-a por completo. O que, em nada diminui sua importância ou sua realidade.

Precisamos iniciar, discernindo sobre sua real natureza. Sabemos das muitas pessoas que voltaram a vida, depois de haverem morrido. Entre eles, Lázaro e o filho de uma viúva em Naim. São registros confiáveis do Velho e Novo Testamento. Contudo, nenhum destes trata de ressurreição. Apesar, de fato, haverem voltado da morte, o termo ressurreição não se aplica. Não por um detalhe teológico, ou capricho denominacional. O fato dessas pessoas voltarem a morrer, prova que não houve ressurreição.

A ressurreição é bem mais que voltar à vida. Jesus, não apenas voltou à vida, ele venceu a morte definitivamente. E ouçam isto... Jesus vive... E jamais morrerá. Sua vida que não tem fim. E seu corpo ressurreto é livre do poder da morte. É livre da ação do tempo. Nenhuma corrupção o atingirá. 

Sim, sua ressurreição revelou a existência de uma nova natureza corpórea. Até então desconhecida.

Paulo dedicou uma parte significativa de sua carta aos coríntios dando detalhes sobre a ressurreição. E o fez como sendo a fase final da semeadura. Uma grande colheita, a se estender por toda a terra. Ele nos faz lembrar que essa já foi iniciada, sendo Jesus seu primeiro feixe (capítulo 15:20). À semelhança de Jesus, a colheita também nos atingirá. Então, experimentaremos o poder da ressurreição, semelhantemente a Cristo. 

E mais sabemos sobre a ressurreição do nosso corpo. Está escrito:
E, quando semeias, não semeias o corpo que há de nascer, mas o simples grão, como de trigo, ou doutra qualquer semente. (capítulo 15:37).

Devemos observar a continuidade existente entre a semente, e a planta por ela produzida. Pois, o paralelo, ensina que o corpo que temos, como sementes, serão transformados, dando lugar a um novo corpo. E, sobre a natureza desse corpo, está escrito:
Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará na incorrupção. (capítulo 15:42).

O corpo corruptível, que hoje temos, será transformado em um corpo livre da corrupção. Todos teremos corpos eternos. Para horror ou para honra entraremos na eternidade. 

Assim, entenderemos o significado da vitória da cruz...  
Quando isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. (capítulo 15:54)...

Então, Face a face com Senhor, o veremos. E para sempre com ele estaremos.

Aleluia Senhor!

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Quem sou, de onde vim, e para onde irei?


A humanidade tem experimentado períodos de desenvolvimento. A ciência tem se multiplicado, descobertas permitem ao homem, padrões cada vez mais sofisticados na tentativa de compreender a vida.  Acredita a humanidade, ser a exaltação da razão.

É claro, a morte continua aprisionando o ser humano, impondo-lhe restrições. E as propostas e experiências para libertar-se têm sido fantasiosas, ou fracassadas.

Esta condição, tem restringido a humanidade. E algumas perguntas, permanecem sem respostas desde o princípio. Uma delas, é o propósito da vida.... Quem sou, de onde vim, e para onde irei?

O homem, em si mesmo, tem buscado respondê-la, sem chegar a conclusões satisfatórias. Apenas, abandonando a razão, surgem soluções, mas logo, são refutadas pela própria razão. E a questão, para o homem, continua aberta.... Qual o significado ou propósito da vida?

Por outro lado, o evangelho de João, capítulo 8.14, nos forneces informações essenciais sobre a questão. Assim está escrito... 
“Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou”.

Este diálogo faz parte de um contexto em que estão Jesus e religiosos. Estes, baseando-se apenas em si mesmos, a despeito das evidências, negam a divindade de Jesus.

Na resposta dada por Jesus, Ele, não apenas afirma ser Deus, mas lhes informa saber seu destino. A causa da rejeição feita por seus opositores, decorria da disposição de, simplesmente, negá-las. Pois, caso fosse validada, passariam a depender daquele que estava diante deles... que afirmava ser Deus.


De fato, as questões que envolvem o propósito da vida, e a responsabilidade diante de Deus, se encontram além da razão humana. O homem se refugia, inutilmente, em sua religiosidade e, vãs filosofias para ignorá-las... a despeito das evidências.

O conhecimento adquirido, tem mantido o homem em oposição a Deus. Levando-o em direção a uma enganosa suficiência, garantida pela soberba, prazer e consumo. E Tal como os religiosos, a época de Jesus, ainda hoje, permanece o homem, negando sua divindade.

Mas Deus ensina a todos. A estultícia do homem perverte o seu caminho, e o seu coração se irrita contra o Senhor. (Provérbio 19:3).

sábado, 1 de abril de 2017

O sinal de Jonas - Continuamos em busca de sinais (Mt 16)



E, chegando-se os fariseus e os saduceus, para o tentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu. Mas ele, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos? Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se. (Mt 16:1-4)

Há vários termos no texto que devem ter seus significados revistos para que sejam aproveitados pelo Senhor para nosso crescimento.

Fariseus e saduceus.

Comumente associamos os termos a aspectos negativos da fé. O que, de certa forma, é correto, contudo, esses homens foram usados por Deus para manter vivo seu testemunho.

Sabemos que antes do surgimento de João Batista, esses homens contribuíram para proclamação das grandezas de Deus, a despeito de seus corações.  (Mt 23.1-8)

O sinal do céu

E são esses que pediram um sinal do céu. Nenhuma sinceridade havia em seus corações. Pois, há uma rastro de sinais ao longo do cap. 15 que intecionalmente são rejeitados.

E o Senhor, sabendo o intento daqueles corações (Jo 2.25) observa que eles eram pessoas que reconheciam a importância de sinais como antecipação daquilo que estava por vir. Vemos isso pela resposta que o Senhor lhes dá: “Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro...”.

Mas, a busca de preservação de privilégios obscureciam-lhes o entendimento a ponto de desqualificarem os sinais evidentes de que o Senhor era seu Messias tão esperado. Nada mais coerente ouvir: Hipócritas!

Para aqueles ouvintes qual o significado do sinal de Jonas?

A história mostrou-nos que a reconciliação dos gentios (ninivitas) com o Senhor fora confirmada, e poderia ser aquilo que Cristo lhes estava antecipando. 

Outro discurso do Senhor a respeito do sinal de Jonas diz: 
“Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites: no seio da terra. Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas. (Mt 12:41-40)

Um apelo ao arrependimento!
Tanto o sinal pedido pelos fariseus e saduceus levariam ao arrependimento, quanto o sinal de Jonas. Qual seria pois a diferença entre eles?

As evidências das obras realizadas everiam conduzir ao arrependimento, na rejeição daquelas evidências viriam com juízo. 

O efeito da morte, sepultamento e ressurreição do Senhor para os judeus deixaria para trás a oportunidade de verem cumpridos diante deles os ofícios de sacerdote, profeta e rei. Mas, a partir de então, seriam revelados em outra dimensão da história da redenção.

A negligência quanto à palavra do Senhor fez com que aqueles homens não percebessem o tempo em que viviam.

A partir de então, Deus, saiu a chamar um povo que não era povo para manter vivo o seu testemunho sobre a terra: nós que não éramos povo, mas que agora somos povo de Deus. Fomos chamados - novos fariseus e saduceus - para discernir o tempo e mundo em que vivemos.

Hoje, 
a apostasia como sinal, não tem sido suficiente para olharmos o mundo por meio da verdade de nosso Deus, e, como fariseus e saduceus, rejeitamos os sinais evidentes de sua vinda, banqueteamo-nos por meio de uma liturgia melancólica ou por meio do sucesso oferecido por satanás. 

Não sabemos o que se deu com aqueles homens, nem o que se dará conosco, mas lemos:
E o Senhor deles se retirou.  

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Os fundamentos da impiedade



Em Efésios 4.17-19 nos adverte o Senhor: “para que não mais andemos como os ímpios”. A descrição é suficientemente rica do funcionamento da personalidade ímpia. Deus, ao autorizar sua inclusão aos textos sagrados, permitiu-nos, ao meu entendimento, duas possibilidades: conhecer os fundamentos da impiedade e, ao mesmo tempo, consultar nossos corações. 

Lemos (v. 17) “testifico no Senhor”, a ideia do Apóstolo é nos informar que nossa leitura é autenticada e compartilhada por Deus. Portanto, sua verdade e presença estão aqui de uma forma mais intensa, como se ao lado do Senhor estivéssemos.  

Em seguida lemos: “para que não andeis mais como andam também os outros gentios”. Dois ensinos úteis e preparatórios para o texto: 
1).  "Não andeis mais”. Serve para nos lembrar que um dia praticamos os mesmos pecados que os demais ainda os praticam.   
2). Os “outros gentios”. Iguala-nos aos gentios, lembrando-nos de nossa natureza comum, em nada diferimos - carne - dos “outros gentios”.  
Nossa natureza reticente e nosso passado fazem que a advertência produza em nós maior senso de humildade. Para não supormos que estamos “além” das advertências do Senhor. 

Agora, ajustados passemos a avaliar o que o Senhor nos diz sobre os fundamentos da caminhada dos ímpios. 

“Na vaidade de sua mente”.
O termo “mente” é usado também em Rm 11.34. Lá identifica a mente de Deus em seus planos, expressando seu caráter por meio da retidão, justiça, sabedoria, santidade, bondade. Depreendemos que “Mente é a expressão do caráter da pessoa, de seu conteúdo”. E o texto ensina que o que constrói o caráter (valores e crenças) dos ímpios é absolutamente inútil. Nada que constrói a mente ímpia, segundo Deus, tem utilidade, tem valor. É o que diz Jó:
Certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem atentará para ela o Todo-poderoso. Jó 35:13

Em sua mente os ímpios são vaidosos, inúteis, pois rejeitando as verdades de Deus, construíram sua própria verdade e por ela conduzem seus passos. Não é sem sentido que o arrependimento, é uma ação poderosa de Deus transformando essa mente vaidosa, fazendo-a, que inútil é, chegar ao conhecimento de Deus e de sua justiça.
Somos ensinados que não devemos andar guiando-nos pelos valores e crenças criados pela vaidade de mentes que não conhecem o Senhor.

Entenebrecidos no entendimento”
Para entendermos o real sentido da palavra entenebrecidos consultamos o relato sobre a vinda do Senhor em que são descritas as catástrofes naturais que sobrevirão ao mundo (Mt 24.29). Jesus ao falar sobre elas diz que “o sol escurecerá”. Esse escurecimento é termo semelhante a entenebrecidos. E, voltou a utilizá-lo como metáfora, ao contrapor a luz do mundo com as trevas. Lá novamente está o termo que qualifica entenebrecidos, “trevas”.
Já “entendimento” é usado por Paulo (1 Co 14-14-15,19). Diz: “se orar em língua desconhecida, meu espírito ora bem, mas meu entendimento fica sem fruto”. Depois relata a necessidade de entendimento na oração, no louvor, e conclui: (19) “quero falar 5 palavras com meu próprio entendimento para instruir, que 10.000 palavras sem entendimento – outras línguas”. Entendimento é o uso consciente da razão. Deus diz: “os ímpios têm seu raciocínio em trevas". Logo, o uso consciente da razão dos ímpios encontra-se em trevas, sendo-lhes impossível de, por meio da razão, chegar ao pleno conhecimento do Senhor.
Nenhum conhecimento que provém da impiedade que conflita com a verdade revelada pelo Senhor deve ter significado para qualquer um de nós. Não podemos substituir o que é claro e vindo do alto, por aquilo que escurecido e vindo da terra. E lemos: “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. (Rm 10:2)

O texto até aqui nos ensinou a respeito de fundamentos – a constituição da natureza humana, o que se ajusta a que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Mas, há a introdução da condição do ímpio em relação a Deus como consequência de características da impiedade, e não mais em relação a si próprio:
“Separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, e pela dureza do seu coração”. 
Sim, a partir deste ponto os ensinos mostram as causas – duas - da separação entre Deus e o homem. Não se tratam de características constitucionais descritas anteriormente, mas, das incapacidades decorrentes dessa constituição.
Devemos reafirmar que tal condição - a separação entre os ímpios e o Senhor - não representa em nenhuma hipótese a situação daqueles que foram vivificados pela cruz - sangue - do Senhor (Ef 2.16).  

“Pela ignorância que há neles”
Como exposto anteriormente, nenhum de nós incorrerá nessa ignorância, que deve ser vista como a incapacidade de atribuir ou relacionar adequadamente os significados da vida em sua totalidade. Significar eternidade, justiça, santidade, Deus, Jesus, perdão, punição, inferno, morte e tantos outros em sua devida dimensão e como revelados pelo Senhor.
A ignorância está detalhada 1 Co 2.14: “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; nem pode entendê-las, pois se discernem espiritualmente”. Existe um abismo intransponível ao homem, separando-o das verdades eternas do nosso Deus. A essa característica do ímpio ou homem natural Deus chama de ignorância.

“Pela dureza do seu coração”
O significado obtemos na passagem (Rm 11.34) em que Paulo explica a condição dos Israelitas que os levou a não perceberam em Jesus seu Messias tão esperado, a esperança milenar de redenção, e o Apóstolo usa o termo “Insensibilidade”. É, ainda, utilizado em Mc 3.5. Lá Jesus utiliza semelhante termo para qualificar o sentimento dos fariseus: Insensibilidade. Pelo descaso quanto à necessidade de cura um homem cuja a mão era ressecada.
Paulo afirma que a separação que há entre Deus e os ímpios decorre da incapacidade de compreensão e da insensibilidade espiritual destes.
Assim, somos ensinados pelo Senhor a respeito dos fundamentos dos ímpios e de sua situação diante de Deus. Ambas nos advertem para que saibamos dos ímpios. 


O final descrito (v. 19) garante que tais características agem progressivamente, fazendo com que os ímpios se autorizem e, abandonando toda moral prevista, tenham mais prazer e se aprofundem em seus pecados.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Como perdoar?



https://osegredo.com.br/2016/09/leia-isto-se-existe-alguem-que-voce-nao-consegue-perdoar/
No link acima o autor faz uma série de considerações a respeito de perdão. E após sua leitura fiz este texto.

O conceito ou a experiência de perdão é algo completamente estranho à natureza humana, e para entendê-lo ou praticá-lo é necessário que o conheçamos fora dessa natureza, nesses termos jamais será um clichê.

É comum lermos pessoas, mesmo desconhecendo o que vem a ser perdão, oferecerem seus conhecimentos e experiências pessoais para lhe formular o conceito. Muitos de boa-fé, pretendem-se verdadeiros, consoladores, e o que é mais perigoso, universais, entendendo haver resolvida a questão. Entretanto, o perdão, seja conceito, seja prática, encontra-se fora da categoria das reflexões ou experiências meramente humanas.

Sendo o perdão é um evento interpessoal, não será objeto da introspecção ou contemplação, muito menos definido nos protocolos da “sabedoria humana”, logo não será aprendido pelo uso de tais recursos.

O perdão precisa ser uma experiência determinada por “Alguém” fora do contexto de nossos pressupostos. Devemos conhecer e adotar o conceito DAQUELE que sabe todas as coisas, inclusive as profundezas de nosso coração.
Acho prudente trazer um conceito de perdão para orientar nosso entendimento: 
“Ato pelo qual uma pessoa é desobrigada de cumprir o que era de seu dever ou obrigação por quem competia exigi-lo”.

Com esse conceito em mente seguiremos para verificar o que Deus afirma sobre a questão. Toda ofensa deve ser punida. A rigor, nos moldes que o concebemos, o perdão é um ato de injustiça por liberar o ofensor do pagamento - ou cobrança – que lhe é devido. Não se pode fazer desaparecer a existência da ofensa – nem é justo, muito menos natural.

Como perdoar? Ou melhor, como Deus perdoa? Sim, devemos partir de Deus para compreensão e prática o perdão.

As nossas ofensas contra Deus: idolatria, mentira, insensibilidade, ira, bebedices, blasfêmias nos tornam réus – devedores - diante do Criador e Mantenedor da vida. A consciência de quem nós somos, do que praticamos e de que O ofendemos garante essa condição. A mínima negligência nesta área nos manterá reclusos à escuridão dos “próprios conceitos”, definindo e vivendo “um perdão pessoal sem qualquer eficácia para nossas vidas... apenas palavras soltas.

Sendo Deus justo e misericordioso, não poderia deixar de praticar sua justiça, ou seja, punir a ofensa. Contudo, Ele, por misericórdia, nos perdoa. E é importante sabermos que, estritamente, o perdão é um ato de justiça e não de amor.

Deus em sua justiça, puniu em seu Filho – com sua morte -  todas as minhas ofensas. Em sua misericórdia, me perdoou.  Foi necessário que alguém pagasse por minhas ofensas, alguém que JAMAIS O ofendera.

Como Cristo pagou cabalmente nossas ofensas, Ele JAMAIS nos cobrará pelas ofensas que cometemos contra Deus.

Nessa dimensão JAMAIS perdoaremos. Mas, compreendemos e experimentamos o REAL significado do perdão, e nos sentimos gratos pela justiça e misericórdia de Deus. Esse sentimento de gratidão a Deus é nossa iniciativa em perdoar os outros. Deixando aos cuidados do Senhor para tratar as ofensas que sofremos... e ainda as que cometemos contra outras pessoas.  

Só saberemos o perdão, bem como o praticaremos em favor daqueles que nos ofenderam, quando nos sentirmos perdoados por Deus. Sabermos que o ofendemos e fomos por Ele perdoado. E que nenhuma ofensa que seja feita contra nós é maior que as ofensas que contra Ele praticamos.

Essa disposição interior de quem foi ofendido em benefício do ofensor é percorrida pelo caminho da gratidão e obediência ao Senhor, jamais pela ira ou senso de justiça pessoal.  


Sem tais conhecimentos e experiências, os conceitos e verdades sobre perdão são apenas tentativas frustradas em dar significado àquilo que está fora de nossa compreensão. Esses sim, são apenas clichês. 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Há liberdade na escolha, o que Deus diz?


Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão. (Gl 5:1)

Sem dúvidas fomos chamados para Liberdade e retirados da escravidão. Se fomos libertados, quanto éramos livres? Quanto éramos escravos? Qual a natureza de cada uma das questões envolvidas?
Onde avaliar a liberdade humana
Quando falamos a respeito de liberdade humana, devemos primariamente tentar seu conceito – colocá-la em um campo de conhecimento específico onde possamos avaliá-la objetivamente, assim nos afastamos de falsos conceitos e das conjecturas que emanam de nosso próprio coração. Para tanto, precisamos ouvir o que o Senhor nos reserva, o que dizem as Escrituras, apenas Ele pode nos oferecer entendimento sobre esta questão. E, a partir daí, percorrermos – tanto quanto possível - sua extensão, sua efetiva capacidade de ação, por fim, os limites da liberdade pretendida – ou real. 
Liberdade é capacidade, e sempre sob llimites
De sorte, que somos obrigados a relacionar liberdade à capacidade. Sim, a liberdade é a autonomia de realizar. Onde não há liberdade, não há capacidade para realização. Nenhuma pessoa enclausurada pode agir além de sua clausura. Contudo, é suficientemente livre para agir em toda extensão de seu confinamento. Logo, a liberdade está submetida a limites, sem os quais e além desses ela não existe.
Surgiu ou ressurgiu?
Não há como negar sobre a culpabilidade humana presente nas Escrituras, afirmando-a responsável diante de Deus. O conceito de responsabilidade diante de Deus, de acordo com o humanismo – cristão ou não –   o levou ao equívoco da contrapartida: se responsável, logo capaz. Assim, a liberdade sugerida é produto de erro de entendimento e não da palavra do Senhor. Porém, como resultado, adotou-se esse engano como se viesse do próprio Deus.  A despeito da força de conceitos, metodologias consagradas e a própria história cristã, e mais, o caráter revelado de Deus, seus atributos e sua soberania... assim, sem nenhuma consulta ao Senhor, lançou-se "o homem livre" – cooperador de Deus. Pois, alegam sem tal liberdade não haveria culpa diante de Deus. Contrária aos ensinos do Senhor, a razão humana legisla vorazmente em defesa de seus pressupostos.
Na verdade, se trata da versão atualizada e universal da medianeira que o Catolicismo Romano atribuiu apenas à Maria, mas que agora o Humanismo, remodelou o conceito, consagrando-o a toda humanidade, onde todos são cooperadores de Deus na salvação. 
Essa é a discussão, essa liberdade que esquadrinharemos, e sei, este texto não encerrará o conflito!
A questão central
Quão livres somos para satisfazer a justiça de Deus? Apenas nossa natureza nos capacita para escolhermos o “bem” segundo o Senhor?
Tais perguntas devem ser respondidas excluindo qualquer ação PRÉVIA de Deus. Ou seja, identificar toda a extensão da liberdade humana - atos como resultados da disposição natural. Aquilo que o homem escolhe sem “ajuda” de Deus.
As respostas afirmativas a essas questões apoiam-se exclusivamente nas disciplinas sociais e no próprio coração. Em busca de legitimidade cunham um punhado de textos bíblicos e os entortam de forma a atender aos anseios de liberdade. Na verdade, são conceitos vindos da sociologia, psicologia e demais disciplinas, que se tornaram necessários para expressão do “novo homem”.  - Um cristianismo psicológico que garante a capacidade e a liberdade humana em relação a Deus.
A liberdade humana e a palavra de Deus
"Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1 Co 2:14)
Aqui – outras partes também - as Escrituras qualificam a liberdade humana. Ele pode ser livre, mas sua liberdade age apenas na dimensão do mundo natural no qual está inserido. Quanto às verdades ou realidade divina o homem é completamente incapaz que percebê-las, logo não há como compreendê-las, e por sua vez, escolhê-las ou experimentá-las. Não tem qualquer liberdade em si para escolher ou satisfazer à justiça de Deus. É como se o homem fosse aparelhado de asas, contudo fossem inoperantes, não lhe permitissem alçar voos - tomo emprestada a ilustração de Lutero.
A liberdade natural
pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas malhas? então podereis também vós fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal. (Jr 13:23)

O paralelo estabelecido entre a natureza e a vontade mostram quanto nossa vontade é refém de nossa de nossa natureza. Nossas decisões seguem o fluxo natural de nossa inimizade contra Deus.
Tudo que conhecemos é limitado por nossa natureza, ou seja, nossa natureza impõe restrições, limites físicos, intelectuais, morais ou legais. A liberdade sugerida pelo humanismo cristão sugere a supressão dos limites. Não há realidade possível na liberdade pretendida.
Em sua liberdade, o homem executa seu direito de escolhas, preferências e determinação dentro da realidade do mundo físico e perceptível, a Escritura garante-nos isto. Da mesma forma, garante-nos que nenhuma capacidade ou liberdade humana há fora deste mundo físico, ou seja, na dimensão do mundo espiritual, com suas verdades, seus valores, princípios e seu Senhor.  
A verdadeira liberdade
Não há como negar que a liberdade pretendida e anunciada pelo “homem livre” não se ajusta ao que Deus fala em sua palavra. A única liberdade "possível" decorre da vontade livre, graciosa e soberana de nosso Deus ao anunciar aos nossos corações:
Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. (Jo 8:36)